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sexta-feira, 23 de março de 2012
Um som moderno da pós-antiguidade
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Quando cheguei por aqui...
Esse é um texto que fiz para uma disciplina que fiquei devendo na faculdade...
Quando cheguei por aqui, era todo expectativas e perguntas de um calouro seminal. Quando cheguei por aqui, não sabia de muita coisa, e na verdade nem queria saber. Vencer a barreira do vestibular e alcançar o tão sonhado olimpo: a universidade — era vencer o tempo de sofrimento e autoflagelação da escola e adentrar na grande orgia libertina que certamente me esperava na depravada vida acadêmica que eu queria levar. E isso me libertava. Quando cheguei por aqui, eu queria transar todos aqueles estereótipos que carregava na mochila da escola sobre faculdade, festas, bandas, literatura, arte, trabalho e até a obscura e atemorizante vida adulta.
Mas não foi bem assim, é evidente. Quando cheguei por aqui, carregava na alma uma semente de insaciável sede. Sede de perguntar mais, sede de entender o mundo, e sede de ser alguém que até hoje não descobri quem. A semente germinou e ganhou algumas folhas avermelhadas na militância política e outras nas belas letras. Larguei a publicidade e fui estudar jornalismo. Me encantei com as utopias bonitas que pintavam um mundo mais justo e melhor e me indignei com os horrores que descobria no planeta com as lentes que o jornalismo me emprestava. Me apaixonei com o jornalismo e cultivo ainda um flerte inacabável com a literatura e com o cinema. A semente virou uma muda, e seguiu se desenvolvendo em direção à luz, seja qual for essa maldita luz que buscamos.
A busca continuou durante longos e numerosos semestres de faculdade entre livros bolorentos da biblioteca, porres intermináveis discutindo as questões fundamentais da humanidade e projetos mirabolantes elaborados nos cantos sujos do Diretório Acadêmico José Milton Santos. E agora, que a visão do passaporte para o olimpo do mundo do trabalho — o bacharelado — está bem à vista, a busca continua. Permanece. Persiste. E prossegue. Por mais que às vezes ache que consegui fazê-la cessar por algum tempo. Ela volta impassível e me atormenta.
Então, enfim, não mudei muito: quando cheguei por aqui, era todo expectativas e perguntas. E daqui a pouco, sairei com novas expectativas e novas perguntas. Guardei na minha pastinha da faculdade novos estereótipos que quero transar futuramente, e continuo procurando alguma coisa que ainda não sei o que é. A faculdade foi apenas uma estrada que tive de trilhar em direção ao desconhecido e em busca daquela luz incógnita que todos procuramos. Na verdade, o fundamental foi o que aprendi pelo caminho, muito mais no mundo da vida do que na vida do mundo acadêmico. Mas valeu a pena. Afinal, acho que a faculdade de jornalismo ensina mesmo é a perguntar, não é?
